28 janeiro 2014

Opinião: Three Parts Dead (Max Gladstone)

Editora: Tor Books (2012)
Formato: e-book | 336 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica, Steampunk, Fantasia
Descrição (GR): "A god has died, and it’s up to Tara, first-year associate in the international necromantic firm of Kelethres, Albrecht, and Ao, to bring Him back to life before His city falls apart.
Her client is Kos, recently deceased fire god of the city of Alt Coulumb. Without Him, the metropolis’s steam generators will shut down, its trains will cease running, and its four million citizens will riot.
Tara’s job: resurrect Kos before chaos sets in. Her only help: Abelard, a chain-smoking priest of the dead god, who’s having an understandable crisis of faith.
When Tara and Abelard discover that Kos was murdered, they have to make a case in Alt Coulumb’s courts—and their quest for the truth endangers their partnership, their lives, and Alt Coulumb’s slim hope of survival.
Set in a phenomenally built world in which justice is a collective force bestowed on a few, craftsmen fly on lightning bolts, and gargoyles can rule cities, Three Parts Dead introduces readers to an ethical landscape in which the line between right and wrong blurs."
Three Parts Dead parece, à primeira vista, um livro de fantasia urbana. A capa e a sinopse parecem apontar para mais uma aventura de mais uma heroína que mete seres sobrenaturais. Mas quando o leitor inicia a leitura, desengana-se rapidamente: este é um livro de fantasia, passado num mundo diferente e com um sistema de magia francamente interessante.

A história passa-se na cidade de Alt Coulumb, onde o deus Kos, a Chama Eterna reina sobre fornalhas e geradores movidos a vapor. A função dos seus sacerdotes não é apenas rezar ao seu deus mas também manter estes aparelhos, que por sua vez mantêm a cidade, em boas condições. Quando o Kos morre, a "Artesã" Tara acompanha a sua chefe à cidade para o ressuscitar.

Achei o sistema de magia deste livro fenomenal e imaginativo. Os deuses são entidades que nascem da fé dos crentes e que trocam a sua magia e proteção sob a forma de contratos. Quanto mais seguidores o deus tiver, mais poder tem. Se o deus fizer contratos que se estendem para além dos limites dos seus poderes, morre.

Os humanos, por sua vez, têm acesso à magia através da "troca" ou utilização da sua "soulstuff" (literalmente "substância da alma") e complementam este poder com o poder que lhes é dado pelos elementos. Tara e a sua chefe, a firma Kelethres, Albrecht, and Ao são contratados pelo Templo de Kos para ressuscitar o deus. Infelizmente, para isso têm  de analisar os contratos feitos pelo mesmo pois o nível de autonomia e poder futuros de Kos dependem da sua "culpa" na sua própria morte (se passou dos seus limites).

O autor dá-nos também alguma história sobre os estudos dos humanos sobre a magia (Craft) e como estes descobriram que tinham acesso ao mesmo tipo de poder dos deuses. Fala-nos dos Reis Imortais, que vivem graças à sua magia, transformando-se em esqueletos com o passar do tempo. Fala-nos também numa guerra entre deuses e mortais por esse mesmo poder e devido a uma tentativa dos humanos de suplantarem os deuses.

Como disse, um sistema de magia notável e muito interessante. O enredo em si é engraçado, com a narrativa dividida entre diversas personagens (mas de uma forma que não se torna irritante ou a narrativa fragmentada). Estas narrativas vão dando pistas ao leitor sobre o que se passou realmente com Kos embora algumas das revelações finais tenham sido uma surpresa porque me parece que o autor não incluiu qualquer indícios sobre o que se ia passar.

O resto da construção do mundo é que deixa um pouco a desejar. Parece que o autor gastou todas as suas ideias na elaboração do seu sistema de magia, porque o mundo é muito... planeta Terra no século XXI mas estranhamente com navios com velas. Temos arranha-céus, clubes noturnos e discotecas, saltos altos, uma figura da Justiça bastante reminiscente da nossa e mesmo vampiros!. Ou seja, o resto do mundo peca pela falta de originalidade.

Ainda assim, Three Parts Dead foi uma leitura interessante. Tem personagens carismáticas, jogos de astúcia entre o vilão e os heróis e um sistema de magia francamente interessante. Recomendado para os amantes de fantasia [urbana].

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