17 junho 2013

Opinião: The Hundred Thousand Kingdoms (N.K. Jemisin)

The Hundred Thousand Kingdoms by N.K. Jemisin
Editora: Orbit (2010)
Formato: Capa mole | 427 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "Yeine Darr is an outcast from the barbarian north. But when her mother dies under mysterious circumstances, she is summoned to the majestic city of Sky. There, to her shock, Yeine is named an heiress to the king. But the throne of the Hundred Thousand Kingdoms is not easily won, and Yeine is thrust into a vicious power struggle with cousins she never knew she had. As she fights for her life, she draws ever closer to the secrets of her mother's death and her family's bloody history.
With the fate of the world hanging in the balance, Yeine will learn how perilous it can be when love and hate - and gods and mortals - are bound inseparably together. "
Ultimamente parece que ando numa de fantasia épica (a culpa foi da Whitelady que me convenceu finalmente a começar a saga Kushiel). No outro dia, estava a ler a Bang! 14 e deparei-me com uma página de sugestões onde se mencionava o livro de estreia da autora norte-americana N.K. Jemisin, intitulado The Hundred Thousand Kingdoms.

Como é fantasia, como foi recomendado pela Bang! e como até tenho a trilogia em casa por ler, decidi que estava na altura de pegar neste.

E digo-vos, foi, primeiro que tudo, uma leitura compulsiva. Jemisin escreve bastante bem, com uma fluidez surpreendente que nos cativa.

Depois temos a história, claro. Um mundo fantástico onde o planeta inteiro (quase literalmente) é governado das sombras por uma casta, os Arameri, que controlam não só uma fonte infindável de riqueza, mas algumas das divindades que criaram o mundo, assegurando assim uma hegemonia duradoura. Os Arameri dizem-se "conselheiros" mas na verdade controlam o Conselho dos Nobres. Isto pareceu-me extremamente original e interessante. E foi.

A nossa protagonista é Yeine, uma jovem de um reino do Norte que é chamada à cidade "central", Sky, onde vivem os Arameri. A verdade é que a mãe de Yeine era filha da chefe do clã dos Arameri e agora que o chefe se encontra no fim da vida, a jovem é chamada para tomar parte na corrida à sucessão onde tem como rivais dois primos.

Mas Yeine não sabe quase nada do mundo vil dos Arameri. A sua ida a Sky vai mergulhá-la num mundo cheio de perfídia e enganos onde nada é o que parece... nem mesmo os deuses escravizados que os Aramenri usam tanto como entretenimento como arma.

The Hundred Thousand Kingdoms surpreende principalmente pelas ideias da autora. O facto de os deuses servirem, em regime de escravatura, os mortais é algo raro (ou pelo menos para mim, que não leio assim muita fantasia épica) e gostei da forma como Jemisin descreveu as divindades, os seus poderes e a forma como se relacionam com os humanos.

A narrativa tem um ritmo regular que mantém o leitor embrenhado na leitura (ao contrário do que aconteceu com The Killing Moon, um outro livro que li da mesma autora) e nem mesmo a sua natureza algo fragmentada (que é explicada com o desenrolar dos acontecimentos) torna o livro difícil de acompanhar ou aborrecido. Yeine, a nossa narradora divaga por vezes, mas isso não interrompe o fluxo da narrativa.

A forma como muitos dos protagonistas foram retratados (especialmente os deuses escravizados) também contribuiu para que este livro fosse uma leitura tão agradável.

No entanto, nota-se que este é o primeiro livro da autora. Ela cometeu um erro que me parece ser de principiante: notei que nalgumas das comparações que ela fazia, utilizava referências do nosso mundo. Do género "A sala era tão grande que cabia lá um elefante"; sendo um mundo ficcional completamente diferente, estas referências não existiriam (elefantes também não, provavelmente).

Além disso, apesar de alguns aspectos do mundo terem sido adequadamente desenvolvidos (os deuses e a respectiva mitologia - apesar de esta ser algo básica e previsível), outros ficaram por explicar (por exemplo, o nível tecnológico de Sky... não existem carros, mas pelos vistos existem canalizações e torneiras, etc).

Achei também que tudo ocorreu demasiado depressa: as descobertas de Yeine sobre a Guerra dos Deuses e sobre os objectivos dos Arameri pareceram-me demasiado apressadas e sem explicação satisfatória. A peculiaridade de Yeine foi arrumada a um canto quando poderia ter adicionado interesse à história, se explorada.

No geral, uma boa obra de fantasia. N.K. Jemisin tem certamente uma boa imaginação e um talento para contar histórias. Faltou mais desenvolvimento do enredo, do mundo e das personagens (com as quais, tal como no outro livro da autora, não me consegui ligar), incluindo o romance que me pareceu também apressado e pouco verosímil. Mas gostei imenso das ideias da autora. Uma série a seguir.
English Review  |  Outros livros da autora: The Killing Moon (EN)

2 comentários :

WhiteLady3 disse...

Sabes o que devias ler? Priestess of the White :P Tem também uma mitologia bastante interessante e parece-me que os deuses não são assim tão bons como isso podendo ser movidos por interesses próprios, mas vemos pouco deles e a história vai-se desenrolando lentamente seguindo vários pontos de vista.

slayra disse...

Ok (I'm sold). :)